quarta-feira, 16 de junho de 2010

as mudanças de Dunga

Se Gilberto Silva e Felipe Mello não formam a dupla de volantes dos sonhos de ninguém, pelo menos devemos admitir que ambos jogaram bem - ou quase isto - no primeiro jogo da seleção. Conseguiram parar o setor de criação da Coréia do Norte, ainda que para tanto não fosse necessário grande esforço. Com eles em campo, o jogo estava dominado. Além disto, Mello ainda teve um lampejo de criatividade no lance que originou o gol de Maicon; quando percebeu a chegada de Elano, com um passe longo e preciso o deixou em situação limpa para assistir o apoio do lateral direito. O Brasil abria o marcador.

Defensivamente, o time ia bem. Sem sobressaltos, chegou ao 2 a zero, à medida em que o nervosismo da estréia ia se dissipando. O problema estava na frente. Quando Robinho recuou um pouco, fez aquilo que se espera dos meias (leia-se Kaká): ergueu a cabeça e lançou Elano em diagonal, deixando-o em condições de concluir. Sem criatividade, o Brasil não conseguia ir além de um jogo horizontal.

Com tudo sob controle e um placar quase confortável, Dunga partiu para as alterações.

Nilmar no lugar de Kaká: Com esta substituição, Robinho passa a executar a função de armador, algo parecido com o que ele faz no Santos. Nilmar se une a Luís Fabiano e imprime mais movimentação ofensiva. Foi a alteração mais lúcida.

Daniel Alves no lugar de Elano: A intenção era repetir o que outras vezes já funcionou, ou seja, aproveitar o talento de Daniel em suas investidas pela direita. Não funcionou. Ele e Maicon não se entenderam. Provavelmente Dunga apostará mais vezes em D. Alves nos próximos jogos, mas não foi uma boa solução contra a Coreia do Norte.

Ramíres no lugar de Felipe Mello: Esta alteração foi comprometedora. Dunga pretendia dar mais velocidade à saída de bola, mas isto não aconteceu. Pior, desguarneceu o setor. A marcação ficou fragilizada e o Brasil passou a correr riscos que culminaram no tento para a Coreia do Norte. Redundou em um final de jogo de supremacia coreana.

Dunga pode ter percebido que problemas ofensivos se resolvem com a substituição dos jogadores encarregados da criação e do arremate. Tirar Luís Fabiano não é nunhum sacrilégio. O fato de ele ser o avante mais efetivo dos últimos anos não o isenta de eventuais más atuações. Se ele e Kaká estão mal, alvos fáceis para a defesa adversária, não é mexendo atrás que os problemas serão resolvidos. Com a formação que terminou o jogo, talvez um atacante como Drogba encontrasse o espaço que precisa para fazer seus gols.

Se Daniel Alves funciona como uma arma secreta, não é recomendável utilizá-lo em um jogo que, aparentemente, já está resolvido. O ideal seria preservar um dispositivo que tem tudo para ser eficaz. Ocorrerão circunstâncias onde seu talento poderá ser aproveitado, não sendo preciso que isto se transforme numa ação corriqueira e repetitiva. Perde-se o fator surpresa.

É provável que algumas modificações ocorram para o confronto com a Costa do Marfim, no domingo. Nilmar tem lugar no time. Resta saber o que passa pela cabeça de Dunga, agora sem o estresse do primeiro jogo.

Um comentário:

Juliana disse...

Não acho que a entrada de Ramires ocasionou o gol dos nortecoreanos. O problema foi de posicionamento de alguns jogadores, pois saiu um cabeça de área e entrou um volante mais avançado e velocista para jogar. Mas acredito que o Brasil jogará melhor contra Costa do Marfim. E se ele começar o jogo com os jogadores que terminaram em campo será melhor ainda.

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